Procurei, procurei. Quando acreditei que havia encontrado… Não deu certo.

Desistir;? Jamais!

Então continuei procurando. Até que encontrei. Enfim estou onde queria estar; aprendendo teatro.

Há algumas semanas eu achei que iria começar os estudos em uma escola profissionalizante, mas a falta de grana impossibilitou essa ideia, ao menos por agora. Depois disso, enquanto estava fazendo uma tarefa ligada ao meu trabalho, passei em frente a um prédio público e lá havia um banner falando sobre uma escola de teatro – Nossa Senhora do Teatro -.

Liguei no mesmo dia, mas as inscrições para o curso chamado de “Preparação do ator” já haviam sido encerradas. Perguntei se havia algum outro e então sugeriram, o Iniciante. Pensei por alguns instantes e falei:

- Mas eu já fiz teatro antes.

A moça respondeu:

- Esse não é um curso bobinho de teatro, não. O trabalho é forte.

Sábias palavras da pessoa que me atendeu. Fui à primeira aula e me senti, enfim, no lugar certo.

O nome da ONG/Instituição/Ponto de Cultura que me matriculei é Nossa Senhora do Teatro, uma homenagem a Fernanda Montenegro que o criador do projeto, Ricardo Vassilievitch, usou como inspiração para iniciar as atividades e ensinar teatro para qualquer pessoa que tivesse disposição para aprender.

As aulas têm duração de três horas, uma vez por semana, mas a pegada é sempre forte e o tratamento é puxado para que os alunos se acostumem com a realidade do mercado, que é de se adaptar as necessidades da maneira mais rápida possível.

Como Ana Cristina, uma das professoras, sempre diz; o aluno/ator não pode se deixar levar pelo nome do curso, Iniciante, a pegada é forte e é preciso se entregar para entender o que é necessário para ser um ator completo.

A metodologia usada é de Stella Adler, uma das atrizes e professoras de teatro mais conceituadas dos EUA. Estela veio de uma família de artistas americanos e teve a oportunidade de estudar por algum tempo com Constantin Stanislavski – Stan –. Depois desse período de estudos, o qual serviu para que ela compreende-se algo que a incomodava no método de Stan usado por alguns grupos nos EUA, Stella aprofundou um pouco mais seus estudos, melhorou sua técnica e a difundiu por meio de sua instituição de ensino; Estúdio de atuação Stella Adler, existente até hoje.

Os professores são exímios provocadores das reações dos alunos e essa atitude já serve para peneirar quem está nas aulas somente para passar tempo. E esse trabalho forte com necessidade de comprometimento dá as aulas um sabor excelente.

Com certeza foi uma escolha muito acertada. A matrícula e as mensalidades são simbólicas, isso possibilita que qualquer pessoa interessada em iniciar seus estudos de atuação possa ingressar na escola.

Para ingressar no curso iniciante basta telefonar para (21) 3773 8375 e pedir as informações necessárias. O curso está sempre aberto, então é possível ingressar em qualquer momento.  Já as matrículas para o curso Preparação acontecem entre o fim e o início do ano e para ser aceito nessas aulas é necessário participar de um teste.

Mais informações sobre o Instituto Nossa Senhora de Teatro no site

www.nossasenhoradeteatro.com.br

Detalhe, faz algum tempo que estou frequentando as aulas, e no mês de julho será a nossa cena de encerramento de semestre. Uma montagem com texto, música e luz tudo por conta dos alunos.  Só posso dizer que, enfim, estou envolvido com o que gosto e por isso o tempo anda curto.  Mas marquem aí, meus próximos textos serão sobre o que eu tenho aprendido na escola e sobre a leitura do sensacional livro “Técnica de Representação Teatral” de Stella Adler. Então, até logo.

Bem, a certeza de que serei um ator não morre nunca. Alguns dias eu fico pensando como seria bom se eu pudesse me fazer feliz com um bom emprego e um bom salário em qualquer mini cidade do Brasil. Com uma família comum e uma rotina real. Como eu poderia ser…

Porém fui mordido pelo “bichinho” do teatro aos 12 anos quando uma professora de escola disse:

- Você leva jeito. Você é bom.

Essas palavras ficaram adormecidas por um tempo, enquanto eu achava que uma vida cheia de ação noticiosa e viagens para mostrar aos interessados o que acontece por aí seria o suficiente. Cursei jornalismo. Porém, parece que grande parte das pessoas que cursam jornalismo estão inquietas com alguma coisa a mais do que o mundo ou as notícias. Ao contrário dos cursos de administração e direito, a galera não entra pensando em dinheiro, mas uma parte significativa, parece estar procurando acalmar um turbilhão interno e como não sabem onde nem como; vão para as cadeiras do jornalismo. Claro que existe aquele tipo de pessoa que sonha com uma bancada de jornalismo e salários altíssimos pagos pelas grandes empresas. Mas a maioria fica confinada em seu rincão do interior, já que as coisas não acontecem do nada pra quem mora a mais de 500 Km da capital do seu estado. Mas isso fica pra uma próxima.

Bem, a arte estava ali, me acompanhou todos os dias e de repente me deu uma rasteira e me fez jogar todos os meus sonhos e devaneios jornalísticos no lixo e me decidir. Eu quero ser ator. Agora eu me pergunto:

- Por que caralhos eu não sai correndo de lá pra buscar isso enquanto eu tinha mais tempo?

Mistura de insegurança, com comodidade de estar na cidade onde meus pais moravam e como já havia trilhado metade do caminho rumo ao jornalismo, pensei que seria melhor terminar. Essa não é a atitude de quem sonha com mais. Sempre que analiso as grandes histórias, as pessoas largam tudo, somem no mundo para buscar um sonho… Mas eu optei pela segurança.

Me formei, passei um tempo perdido para enfim chegar onde eu sempre quis estar. Rio de Janeiro.  Aí eu fico me questionando dia e noite o porquê da “segurança”, sofrida, conquistada com aqueles dois últimos anos de jornalismo não estar servindo de nada agora? Antes tivesse enfrentado os meus medos e já estaria aqui há seis anos. Isso mesmo, seis anos e não seis meses.

Não sei o que vai ser, sei o que quero ser. E por isso estou aqui. Mangas arregaçadas para dar o meu melhor e conquistar o meu espaço, me construir como ator, como alguém que pode emocionar as pessoas. Não importa se numa tela de TV, num palco, ou em uma calçada. Eu quero emocionar para que aquele breve momento o qual eu fiz parte da vida de quem me via possa se tornar algo especial. E assim poder deixar a vida de alguém um pouco mais bonita e dizer em alto e bom som:

- SIM, OS SONHOS SE REALIZAM!

P.S. Agradecimentos pelo título ao amigo Oniodi.

Quando saí da minha cidade para correr atrás desse sonho que me mordeu há muito tempo, as primeiras pessoas de teatro com quem conversei me disseram que eu não poderia chegar cru demais na cidade maravilhosa.

Disseram que eu teria que fazer ao menos três leituras essenciais; o livro “O Teatro e seu Duplo” de Antonin Artaud, “A Preparação do Ator” e “A Construção da Personagem” de Constantin Stanislavsky – que eu chamo só de Stan -.  Antes de sair de lá eu li a Preparação do Ator, simplesmente magnífico e algo além de tudo que já havia pensado sobre a naturalidade orgânica da interpretação. Realmente abriu meus horizontes, porém surgiram milhares de dúvidas as quais eu não tinha a quem perguntar e a ideia desse blog nem embrionária era em minha mente. Dessa forma, não anotei minhas dúvidas, guardei no meu interior, tão bem guardado, que hoje não me recordo de praticamente nenhuma. Lógico que, assim que realizar a segunda leitura elas virão à tona como uma espinha amarela em dias de sol. Mas até lá terei que esperar.

Mas agora vem a notícia boa. Depois de muitos dias lendo “O Teatro e seu Duplo” de Artaud, nas minhas intermináveis viagens de trem até os confins da baixada, hoje eu terminei a leitura. De certa forma algumas dúvidas apareceram, mas o geral de tudo o que ficou comigo foram algumas passagens, muito interessantes, sobre o que o autor acreditava que deveria ser o teatro e também a não compreensão de forma satisfatória da abordagem que Artaud realizou quando escreveu a obra, tido com uma das mais importantes para quem estuda e gosta de teatro.

Pois bem…  No final de tudo ficou somente a certeza de que terei que reler esse livro mais algumas vezes para que as questões se tornem mais claras.

Mas mesmo com esse emaranhado de coisas nubladas ainda consigo enumerar algumas ideias marcantes como a necessidade de “fazer” teatro sem que o texto domine a ação do ator. “Acabar com a ditadura do escritor”. Artaud queria que o corpo, o físico fosse o principal da ação e não a palavra, a entonação…  Em certa parte do livro ele compara os atores a atletas que usam seus músculos para “encenar”.

Gostei do que li, mas em nenhum momento consegui vislumbrar como, o que ele pensou, poderia ser colocado no palco. Mas a mensagem do corpo mandando na ação, da respiração como algo muito importante para tirar o público do seu estado de apenas ver o que está acontecendo é realmente interessante. Mas preciso de mais tempo e mais conhecimento para deglutir essas informações.

E depois de escrever um bocado sobre quase nada reafirmo que quero criar aqui um espaço para trocarmos conhecimento, então, se você ainda não leu o livro leia. Se já leu, dê uma luz por favor. Não esconda conhecimento.

As aulas

Nessa segunda devo iniciar minhas aulas de teatro em uma escola aqui do Rio, queria uma gratuita, mas a necessidade e a urgência em não ficar parado me obrigam a ir ao encontro de um curso pago. Não parece ser o melhor da cidade, a duração é de um ano e quatro meses, mas por não conhecer absolutamente nada de nada sobre esses cursos técnicos vou – literalmente – pagar pra ver.

Nesse ínterim, enquanto decidia onde fazer meu curso, tive uma boa ideia… Procurar todas as escolas conhecidas do Rio e passar um dia inteiro por lá pra ver como elas funcionam. Mas para isso precisarei de tempo. E o tempo promete passar mais rápido a partir de amanhã. Achei essa ideia interessante, pois eu não encontro quase nenhum tipo de informação decente sobre nenhuma escola técnica de atuação da cidade do Rio de Janeiro. E olha, eu tenho procurado muito.

O melhor de tudo é que nesse meio tempo, enquanto aguardava uma luz para saber onde poderia fazer meu “curso de teatro”, fui capaz de entender o que me faz ter essa vontade absurda de atuar. É a possibilidade de emocionar as pessoas. Acho que depois de muito procurar, enfim, encontrei o motivo certo pelo qual continuarei insistindo nessa ideia que me persegue há tanto tempo.

 

Preparação

Pelo que pude perceber, a preparação para a segunda semana não diferenciou-se muito em relação a primeira, porém alguns conselhos que ouvi foram:

- Converse com pessoas que estudam na instituição para ter uma ideia do que os professores procuram.

- Amadureça o personagem em você.

- Apresente-se para amigos e familiares.

- Se tiver amigos atores apresente-se pra eles e peça dicas.

Na verdade, todos esses conselhos podem ser realizados já na primeira fase, porém tornam-se ainda mais importantes para a segunda fase.

A espera

Logo no início da minha espera, fiquei colado à porta do teatro e pude ouvir algumas candidatas interpretando seus textos. Havia uma intensidade muito forte no que eu pude ouvir. No entanto, estava interessado nas interpretações masculinas – as quais não assisti, nem ouvi nenhuma -.

O nervosismo parecia menor dessa vez, o ambiente não estava tão silencioso quanto da primeira vez. Acho isso melhor, pois a galera fica mais solta.

A melhor parte das seis horas que fiquei na escola foram as conversas. Muitas pessoas que já trabalham com teatro há muito tempo buscando agora uma formação mais delineada para embasar a prática nos palcos.

Fechando o ciclo:

Nessa última fase do THE você deverá conhecer muito bem seus personagens e ter os textos na ponta da língua. Preparar um trecho de uma música para cantar em frente aos avaliadores – de acordo com um dos professores, isso serve somente para verificar se o candidato é ou não afinado -. E por último, mas não menos importante, vá para a prova desarmado e preparado para mudar a ideia que você tem do seu personagem, caso isso seja pedido. Outro detalhe muito importante, vá preparado para o caráter subjetivo da avaliação, pois é praticamente impossível saber o que os professores querem. Eles têm alguns quesitos para avaliar, mas podem enxergá-los de maneira diferente.

Um caso prático

Um dos candidatos aprovados para essa segunda fase contou que no primeiro teste perguntaram o que ele achava de um dos textos que representou. Ele respondeu:

- Vergonha.

Um dos professores concordou que ele havia conseguido passar esse sentimento para a cena. O outro não. Hoje esses mesmos professores estavam presentes na banca, mas os dois eram unânimes em dizer que esse sentimento não estava claro na cena. E por aí vai.

Porém eu realmente fiquei desconcertado e bem chateado por não ter sido liberado para assistir as bancas. É engraçado ver atores, que dizem fazer parte de uma classe livre e coisas do gênero, burocratizando algo simples. Impedindo alguém que quer crescer de fazer isso. Sei que se autorizarem 50 pessoas para assistir, a aplicação do teste se torna impossível. Mas dessa vez era só um candidato reprovado tentando compreender o que ele fez de errado e como poderia melhorar. E claro, posteriormente passar essas dicas para quem tivesse interesse em ler essas linhas. Mas, quem sabe da próxima vez com um pedido por escrito com dez dias de antecedência ou com uma conversa direta…

É importante lembrar ainda que, os candidatos que foram aprovados hoje terão que fazer uma prova objetiva com questões de português e matemática. É isso mesmo, não foi dessa vez que a matemática caiu.

Merda a todos os que participaram dessa segunda fase e nos vemos em breve.

P.S. Uma coisa muito triste é ver pessoas que querem trabalhar com arte sem nenhuma formação humanística. Acho que grande parte dos brasileiros sabe o que está acontecendo no Rio durante essa semana. E enquanto aguardava, aguardava, aguardava… Ouvi dois candidatos conversando sobre as ações da polícia e um deles dizia:

- Os policiais só podem atirar se a vida deles estiver em risco ou se os bandidos atirarem primeiro. Acho isso o cúmulo. E com essa atitude dos bandidos se renderem, vários são sair incólumes a todo o processo. O negócio era entrar lá e matar todo mundo.

Confesso que fiquei chocado ao ouvir essas palavras, pois os artistas devem ser os primeiros a entender as mazelas de seu povo e procurar ter uma opinião mais humanizada dos assuntos que os cercam, porém não foi isso que ouvi hoje. Espero que seja apenas um caso isolado.

Depois de uma semana pensando que nesse sábado poderia descobrir o que poderia melhorar para a minha próxima avaliação, “tomei um tombo” que jamais esperei. Mas vamos por partes para que tudo fique mais interessante.

Conforme escrevi em meu último texto hoje era o dia de ver o que acontece na segunda parte do Teste de Habilidades Específicas da Escola de Teatro Martins Pena. Seria um momento muito interessante para que eu pudesse compreender quais foram os meus pontos fracos e também vislumbrar o que uma banca formada por cinco professores dessa instituição procuram nos candidatos a alunos da instituição.

Saí de casa um pouco atrasado, já era quase nove horas, e o horário marcado para o início das atividades era nove da manhã. Sempre antes de os testes começarem rola um bate papo rápido com um dos professores, pra deixar a galera mais relaxada e depois – enfim – começam os testes. Cheguei lá e essa conversa já estava rolando.

Durante o papo inicial um dos avaliadores comenta que na hora da banca o importante é ouvir as orientações dos professores e não questionar, mas sim tentar fazer o que é pedido. Já que a intenção é, entre outras coisas, verificar se os candidatos estão abertos a uma moldagem.

“Ouviu uma orientação da banca, faça. Não fique tentando argumentar, o ator tem que se defender no palco.”

Assim como no primeiro dia de testes, foi ressaltado que não existe a necessidade de interpretar as duas cenas, porém pode ser pedido para que os professores possam comparar.

Quando cheguei, 9h15 da manhã, estavam presentes apenas 21 candidatos dos 42 aprovados na primeira fase, mas até às 15h30 faltavam apenas dois.

Depois do rápido bate-papo todos os candidatos são encaminhados pra fora do teatro, onde o teste é realizado, e aguardam até a sua hora da chamada. Lembrando que as pessoas se submetem ao teste de acordo com a ordem de chegada. Quem chega cedo vai embora mais cedo.

Após ouvir atentamente as instruções estava crente que poderia presenciar as bancas. Achei que seria algo normal, assim como nas bancas de faculdades e concursos públicos, e que não haveria a necessidade de informar ou pedir a ninguém para que eu pudesse assistir os testes.

Quando me dirigi ao espaço reservado para a platéia, ao abrir a porta olharam para mim e perguntaram de onde eu era. Respondi que estava ali para assistir os testes, pois fui eliminado na primeira fase e gostaria de ver o que poderia melhorar. A partir daí minha via crucis começou. Pediram para que eu saísse do lugar e conversasse com a coordenadora pedagógica da Martins, ela pediu para que eu aguardasse um pouco para que os professores pudessem ser questionados sobre essa possibilidade. Então, tomei um chá de cadeira de quase seis horas. Esperei, esperei, esperei… E enfim, faltando 10 candidatos dos 40 que compareceram fui avisado que não poderia assistir. Fiquei realmente frustrado e com uma pergunta em mente:

- Por que eu não fui liberado para assistir uma banca realizada em uma instituição pública?

É realmente desconcertante. No entanto, esse período, que fiquei esperando para ouvir o não, serviu para conhecer pessoas excelentes, conversar sobre teatro, expectativas e tentar saber o que os candidatos sentiram enquanto estavam sendo avaliados.

É importante ressaltar que, mais uma vez, a sensação de não ter a menor ideia do que os professores estão procurando em seus futuros alunos prevaleceu. Conversei com uma jovem, que estava participando do teste pela terceira vez, e ela comentou que é difícil saber o que eles querem. Todos que saíam do teatro estavam muito nervosos e realmente não tinham ideia se seriam ou não aprovados. Alguns comentavam sobre erros cometidos, como desafinação na hora de cantar, ou uma pequena engasgada com o texto. Acho que nessas horas lembrar dos nossos erros é mais fácil, pois não temos ideia se estamos certos ou não.

Esse primeiro texto já começa da metade. Não tive tempo de escrever sobre a minha preparação para o primeiro THE da minha vida. Me inscrevi para uma vaga na Escola de Teatro Martins Pena. Essa é a escola de teatro mais antiga da América Latina e considerada uma das melhores do Rio de Janeiro. Ensino gratuito e com atestado de qualidade. Estava muito empolgado, pois há algum tempo eu aguardava a abertura das inscrições.

Para ingressar na Martins Pena é necessário passar por três testes. Dois THE e uma prova de português e matemática – provavelmente esse ano a prova de matemática não será necessária -. A escola está subordinada a FAETEC – Fundação de Apoio à Escola Técnica – que é o orgão que aplica a última prova.

Os THE são realizados nas dependências da Martins Pena, esse ano foram disponibilizadas 15 vagas, uma para portadores de necessidades especiais, se inscreveram mais de 200 pessoas. Aproximadamente um mês antes do primeiro teste foram disponibilizados no site dois monólogos; um trecho do texto “Um Bonde Chamado Desejo” de Tenessee Williams e outro de “A capital Federal” de Arthur de Azevedo.

Eles pedem para que o candidato leia a obra na integra e decore as suas respectivas falas. Até aí nada demais, porém desde quando eu comecei a estudar esses monólogos uma coisa me tirava o sono:

Qual o critério de avaliação dos professores que estariam na banca?

Fiz a prova, fui reprovado e ainda não descobri esses critérios até agora. Foi tudo muito rápido. Sei que nas artes tudo pode ser subjetivo, o que me agrada não te agrada e assim por diante. Mas fazer um teste sem saber o que querem é sempre complicado.

Entrei na sala, com os textos decorados. Os avaliadores eram bem tranquilos, fizeram as perguntas de praxe, perguntaram se eu havia lido o texto na íntegra e ponderaram:

- Se interrompermos você no meio da fala, não significa que tenha sido ruim ou bom. Simplesmente, significa que já teremos avaliado o que precisamos.

Me deixaram à vontade para começar quando me sentisse preparado. Respirei e comecei. Antes de chegar a metade do primeiro texto pediram para que eu parasse. Solicitaram que eu iniciasse o segundo. Falei pouco, não mais que duas frases, e também disseram que estava bom. Saí de lá pensando:

- Ou fui muito bem, ou fui muito mal.

Devo ter ido mal no nível 12. A nota de corte para o segundo THE era de 24 e o máximo a ser alcançado era 48. Eu tirei oito. A menor pontuação possível depois do zero, huah.

Fiquei com a pulga atrás da orelha, pois eu realmente não tenho ideia do que pode ter me desqualificado. E acho que vários outros também ficaram com essa dúvida. Nessa primeira fase, dos mais de 200 inscritos, somente 40 foram selecionados, pelo que percebi o critério de seleção é bem alto.

O segundo THE acontece uma semana depois, dessa vez os selecionados apresentam esses mesmos monólogos na íntegra para todos os professores da instituição mais alguns alunos e dessa fase saem os afortunados para a prova final. Irei assistir essa próxima apresentação para ver se identifico meus erros por meio das interpretações desses candidatos e, caso haja a possibilidade, irei conversar com um dos meus avaliadores para ver se ele pode me dar alguma dica para que eu melhore e tenha melhor chance na próxima vez. No entanto, não pretendo ficar parado. Vou procurar oficinas e cursos livres para ganhar mais experiência de palco e assim seguimos em frente.

Site oficial da escola: www.martinspena100anos.com

Site da Faetec: www.faetec.rj.gov.br

P.S. Caso você saiba alguma informação que eu não coloquei no post ou tem acesso a detalhes mais apurados do que eu escrevi, por favor, me corrija. A participação de todos é essencial nesse espaço.

Bem, depois de muito tempo ensaiando o início desse espaço, agora vai. Já tem um tempo que eu registrei o endereço, mas por complicações de agenda não consegui, nem ao menos, dizer para que eu criei isso.

Enfim, depois de muito tempo sabendo que quero ser ator, resolvi buscar esse sonho. Quero ser um profissional da área das artes cênicas, com carga didática e prática – claro que os acontecimentos podem mudar isso, mas a princípio essa é a ideia -. Quero estudar e entender essa profissão que simplesmente me encanta desde a infância. Atualmente tenho 25 anos e sou formado em jornalismo. Atuei fortemente na área jornalística enquanto estava na universidade, mas desde que me formei estou atrás desse primeiro passo rumo a profissionalização como ator.

Acredito que demorei muito para vir atrás do que realmente importa, mas nunca é tarde para começar.

Porém falta explicar qual é a função disso aqui… Quando eu comecei a procurar escolas de teatro, não encontrei muitas informações interessantes. Não achei nenhum lugar que me indicasse boas escolas/universidades, como procurá-las e como me inscrever. Em lugar nenhum encontrei informações que mostrassem onde encontrar um local que tivesse em seus princípios ensinar a arte de atuar. Na maior parte dos resultados das minhas buscas misturavam-se Escolas e os caça-níqueis. E eu ainda estou tentando discernir quem é quem.

Não achei nenhuma informação que pudesse me ajudar com dicas para os Testes de Habilidades Especificas – THE – aplicados por algumas escolas e pela maioria das instituições de ensino superior que possui o curso de Artes Dramáticas. Foi realmente complicado. Fiz alguns contatos, perguntei o que poderia fazer, para onde poderia ir. Todas as setas apontavam para o Rio e São Paulo. Nada de novo. Sempre quis ir para São Paulo, estudar por lá. Mas acabei no Rio. O que me fez tomar essa decisão? O crescimento exponencial das gravações de filmes nacionais e internacionais na cidade. Não sei se isso é um fator preponderante, pois os produtores podem selecionar atores que morem em Sampa ou em qualquer outra parte do Brasil, porém achei interessante estar mais próximo dos sets e provavelmente dos contatos para esses trabalhos. Bem, isso é papo para um próximo post.

Fechando a resenha, eu quero que esse espaço sirva para trocarmos experiências, dicas, ideias, resultados bons e ruins. A intenção é reunir aqui atores que já ganham a vida com essa profissão e as pessoas que estão buscando por isso para aprender e ensinar. Para me fazer entender um pouco mais sobre tudo que permeia a arte dramática. Cumprindo com o papel de elucidar minhas dúvidas, espero ajudar outras pessoas que estão na mesma corrida que eu.

Escreverei sobre minhas leituras, minhas dúvidas, meus problemas, minhas aulas e oficinas. Espero que mais pessoas se juntem a esse espaço para contar seus sentimentos em relação a essa procura que é maior do que nós mesmos.

Nos vemos no próximo post.